“acaba o giz tem tijolo de construção, eu desenho o sol que a chuva apagou”
Quando menor, ouvi legião urbana incansavelmente todas as horas do dia, alternava para o cd 1 do grande encontro que foi uma grande vício na mesma época, lá pelos 11, 12 anos. Essa semana fiz uma playlist nova e incluí o cd ao vivo “como é que se diz eu te amo”, aliás todo mundo deveria ouvir esse cd. É o mais vivo, mais intenso, que mais fez eu me sentir perto deles. Emocionante.
E, ouvindo Giz, lembrei da minha infância. Exatamente nessa passagem do acaba o giz, tem tijolo de construção. Eu morei numa rua onde tinha mais de 15 crianças, todas de idades parecidas. Brincávamos de tudo que uma imaginação hiperativa poderia imaginar. Pega-pega, esconde-esconde, pega-gelo e, para delimitar o campo do baleado, da barra-bandeira, da amarelinha, tínhamos que desenhar o chão com giz e quando não tinha giz suficiente, pegávamos os tijolos de construção mesmo. Era só molhar um pouquinho que ele desenhava e até fazia um risco melhor, mais visível.
Um tempo que todas as crianças podiam brincar na rua, correr, entrar em casa suado, tomar água e voltar. Como diz Renato russo “um tempo que já foi”. Provavelmente, quando eu contar histórias assim aos meus filhos eles não vão entender. Como poderão? será algo tão distante da realidade que eles viverão, vão pensar que a mãe está delirando. Preciso morar numa casa grande, numa casa que tenha espaço pra diversões desse tipo. Nitendo wii, computador nem nenhuma tecnologia de ponta supre o suor, o sorriso e a alegria de passar uma tarde brincando de pic-esconde na rua. Essas lembranças são tão doces pra mim que quero proporcionar um tipo de sabor igual ou melhor aos meus.
“a gente pegava tijolo de construção mesmo pra ficar desenhando o sol. e essa música é sobre isso, sobre um rio de janeiro que já foi.”
(renato russo explicando, ao final da música, o porquê da letra)